1.Introdução e Contexto
A Amazônia brasileira concentra a maior floresta tropical contínua do planeta, mas enfrenta pressões crescentes de desmatamento e degradação. O estado do Pará, em particular, registra historicamente altas taxas de desmatamento e abriga vastas extensões de pastagens e áreas agrícolas degradadas com potencial de restauração.
O Fundo Flora apoia organizações locais — cooperativas, associações comunitárias, empresas e agricultores familiares — que restauram terras degradadas por meio do plantio de árvores e da regeneração natural assistida. Para garantir que as metas de restauração sejam alcançadas com qualidade, práticas adequadas de manejo florestal devem ser aplicadas para assegurar o crescimento e a sobrevivência das mudas plantadas.
Os projetos financiados devem seguir estas diretrizes para avaliar, registrar e reportar a sobrevivência das mudas plantadas. Nota: Esta diretriz aplica-se exclusivamente a mudas plantadas, não a árvores em regeneração natural.
2. Objetivo da Avaliação de Sobrevivência
O objetivo é apoiar os implementadores de projetos do Fundo Flora com métodos técnicos simplificados para avaliar a taxa de sobrevivência de mudas plantadas, aumentando a transparência e a consistência em todo o portfólio.
A avaliação de sobrevivência serve para:
- Acompanhar a saúde das mudas em uma área específica ao longo do tempo e determinar se o plantio foi bem-sucedido.
- Subsidiar decisões de replantio: auxiliar os implementadores a determinar se o replantio é necessário, sendo recomendado realizá-lo imediatamente após o plantio, no máximo 2 a 4 semanas após, conforme a espécie.
- Aprimorar a qualidade do plantio: dar ao gestor do projeto do Fundo Flora a oportunidade de analisar os resultados em campo e melhorar a qualidade do material de plantio e de outros fatores que contribuem para a sobrevivência.
- Fornecer feedback aos implementadores sobre o quê e como plantar, incluindo qualidade das mudas, época de plantio e técnica de plantio.
- Identificar problemas com diferentes espécies arbóreas ou outros fatores relacionados ao plantio para melhorar o sucesso e a sobrevivência.
- Embasar decisões de desembolso: informar se o repasse de parcelas financeiras pode prosseguir.
3. Limiares de Taxa de Sobrevivência
Nota: A sobrevivência e o crescimento das árvores variam conforme a resposta de cada espécie ao ambiente, luz, chuva, sombreamento e outros fatores. Recomenda-se sempre conduzir uma avaliação cuidadosa de quais espécies plantar e onde para maximizar a sobrevivência.
4. Procedimento de Avaliação de Sobrevivência
4.1 Quando conduzir a avaliação?
Todos os projetos do Fundo Flora devem conduzir uma avaliação de sobrevivência antes de submeter os relatórios de progresso semestrais na plataforma do TerraMatch.
Porém, as duas avaliações oficiais de sobrevivência de mudas no projeto são:
Embora a avaliação anual em 2028 e 2029 seja obrigatória para reporte, recomenda-se fortemente que os implementadores avaliem a sobrevivência pelo menos duas vezes no primeiro ano, de preferência aos 3 meses e novamente aos 6 meses após o plantio. Avaliações mais frequentes, embora não obrigatórias para reporte, são incentivadas ao longo de toda a vida do projeto.
4.2 O que preparar
O membro da equipe do implementador responsável pela avaliação de sobrevivência deve preparar:
- Ferramenta de registro: formulário impresso, caneta ou ferramenta eletrônica (celular, tablet, computador). Escolha a ferramenta adequada à natureza do terreno.
- Corda ou trena
- Etiquetas ou marcadores para árvores (opcional, para identificação individual de árvores)
- Bússola (opcional, para orientação)
- Tesoura de poda ou facão (para remoção de vegetação invasora, se necessário)
- GPS ou aplicativo de georreferenciamento (recomendado para registro de coordenadas das parcelas amostradas — facilita o monitoramento longitudinal)
4.3 Como conduzir a avaliação
A sobrevivência é difícil de medir apenas com uma inspeção visual da área de plantio. Não é possível — ou é muito demorado — ver, avaliar e contar cada muda individualmente. Existem diferentes metodologias para a contagem de sobrevivência.
- Amostragem: Utilize uma metodologia de amostragem sistemática para selecionar as áreas de contagem (parcelas).
4.4 Protocolo para implementação de parcelas permanentes e contagem de árvores
🧰 Antes de começar: Passo 1
☐ Confirme o tamanho da área (hectares)
☐ Cheque o número requerido de parcelas (Tabela 1)
☐ Leve com você fichas técnicas, caneta, fita métrica, GPS (se disponível)
☐ Revise as regras de parcelas com a equipe
Para garantir uma amostragem adequada para a extrapolação de dados, é extremamente importante que haja um número adequado de parcelas de monitoramento. O número de parcelas de monitoramento necessárias baseia-se no tamanho da área restaurada. Abaixo está um método simplificado baseado na área para determinar o número de parcelas de monitoramento, que também define o mínimo necessário.
Número de parcelas de monitoramento necessárias:
- Para áreas de até 1 ha → 3 parcelas
- Para áreas de 1 até 5 ha → 5 parcelas
- Para áreas de 5 até 20 ha → 8 parcelas
- Para áreas de 20 até 50 ha → 12 parcelas
- Para áreas maiores que 50 ha → 15 parcelas (máximo)
Passo 2: Determinando a distribuição das parcelas
As parcelas de amostragem devem ser distribuídas de forma uniforme/justa por todo o local (ou seja, não podem estar agrupadas numa ou duas extremidades/bordas do local).
Checklist
☐ Espalhe as parcelas por toda a área
☐ Evite as bordas (mantenha-se 5 m dentro dos limites)
☐ Não agrupe as parcelas
Passo 3: Seleção das parcelas de monitoramento
Passo 3.1: Aleatorização das parcelas
A localização das parcelas de monitoramento deve ser aleatória, dentro do grid quadrada de um hectare. Todas as parcelas de monitoramento devem ser orientadas de forma que os seus limites sigam os eixos norte-sul e leste-oeste. Para determinar onde as parcelas devem ser colocadas, os pontos centrais das parcelas, referidos como “centróides das parcelas”, podem ser gerados no ArcGIS utilizando a ferramenta Fishnet ou no QGIS utilizando a ferramenta Grid com um espaçamento de 30 metros, e indicando ao programa para escolher aleatoriamente as localizações dos centróides.
Por fim, as parcelas também não devem ser colocadas a menos de 5 metros do limite do local de restauração, para evitar efeitos de borda.
Checklist:
- ☐ Selecione locais aleatoriamente
- ☐ Alinhe parcelas norte-sul / leste-oeste
- ☐ Não estabeleça parcelas com menos de 5 metros da borda
A distribuição das parcelas fica a cargo da equipe do WRI Brasil via GIS e a implementação das parcelas fica a cargo das organizações locais, que acessarão a localização de onde devem ser implementadas utilizando o aplicativo de celular QField.
Passo 3.2 Delimitação das parcelas
A partir dos pontos de localização recebidos para que as parcelas sejam implementadas, que serão acessados utilizando o QField, serão estabelecidas parcelas grandes com parcelas menores dentro, da seguinte maneira:
- ☐ Trace uma reta (transecto) no sentido norte-sul com 25 metros
- ☐ Trace uma reta (transecto) no sentido leste-oeste com 2 metros para cada lado a partir da reta de 25 metros
- Permanente
Passo 3.3 Descrição das parcelas de monitoramento
Parcelas: 4 m × 25 m
Dentro das parcelas de monitoramento, devem ser avaliadas todas as mudas plantadas. Apenas mudas visivelmente plantadas devem ser incluídas na avaliação; árvores maduras pré-existentes no local não devem ser contadas.
Passo 4: Obtenha fotos georreferenciadas na área de RNA
Tire uma foto georreferenciada de cada canto da parcela de 4 m x 25 m, olhando para o canto oposto da linha diagonal, conforme ilustrado na Figura 2 abaixo.
Passo 5: Tratamento de lotes vazios
Parcelas vazias são mantidas e registradas — se uma parcela não apresentar mudas plantadas, ela é registrada como densidade zero e permanece no monitoramento ao longo do tempo.
5. Como Calcular a Taxa de Sobrevivência
A taxa de sobrevivência é o percentual de mudas vivas no momento da coleta de dados, dividido pelo número total de mudas plantadas.
Essa informação deve ser inserida na plataforma do TerraMatch como parte do relatório semestral de progresso, juntamente com toda a documentação de suporte utilizada para chegar a esse número. Os implementadores são fortemente incentivados a submeter o máximo de documentação de suporte possível.
Nota: A avaliação de sobrevivência deve ser realizada e reportada para cada local de implementação em todos os projetos do Fundo Flora.
Fontes de referência: Survival Count Guideline, Regreening Africa, junho de 2020, pág. 8; Measuring Survival and Planting Quality in New Pine Plantations, Dr. Andrew J. Londo & Dr. Stephen G. Dicke, Southern Regional Extension Forestry, janeiro de 2006.
6. Reporte de Replantio e Substituição de Mudas
6.1 O que é substituição de mudas?
A substituição de mudas pode ser definida como o processo de replantar mudas recém-plantadas que morreram ou não sobreviveram em função de diferentes fatores, como doenças, condições inadequadas de solo, seca ou outro desastre natural, pragas, qualidade ruim das mudas ou danos durante o transporte e o processo de plantio. A substituição garante que o estoque de plantio inicialmente previsto seja restabelecido.
Existem dois tipos de substituição:
- Repasse: processo de preencher os espaços ocupados por árvores/mudas que morreram. É uma prática padrão que normalmente ocorre dentro do(s) primeiro(s) mês(es) após o plantio.
- Replantio: envolve o plantio de mudas em uma área onde uma perturbação grave levou à morte da maioria das mudas/árvores (ex.: danos por fogo, doença, desastre natural ou atividade humana, etc.
6.2 Como reportar o número de árvores plantadas quando há substituição?
Substituição dentro do ciclo de reporte
Quando uma muda é plantada, morre e é substituída dentro do mesmo período semestral de reporte na plataforma do TerraMatch, o implementador deve reportar o número original de mudas plantadas. As mudas de substituição não devem ser contadas como árvores adicionais plantadas, para evitar dupla contagem.
Substituição após o ciclo de reporte
Se as mudas forem substituídas após o ciclo de reporte em que foram originalmente plantadas, o implementador deve reportar a substituição no próximo relatório semestral, seguindo estas etapas:
- Árvores substituídas devem ser reportadas no local correto onde foram substituídas.
- Na seção correspondente do formulário de reporte, o implementador deve: (a) reportar o número e as espécies de árvores substituídas no campo correspondente da plataforma do TerraMatch; (b) incluir apenas as árvores substituídas — se 100 morreram e 100 mudas foram plantadas como substituição, reportar "100"; (c) registrar a data do replantio no formato DD/MM/AAAA.
7. Janela para Contabilização de Mudas Mortas
Em cada local de implementação, o Fundo Flora exige que os implementadores reportem o número de árvores plantadas a cada seis meses e a taxa de sobrevivência dessas árvores.
Os implementadores devem seguir as diretrizes de cálculo de sobrevivência descritas neste documento e preencher a planilha de registro ao realizar uma contagem de sobrevivência.
Regras para contabilização de mudas substituídas:
- Substituição dentro do ciclo de reporte do plantio: as mudas substituídas não devem ser contadas como "árvores mortas" no reporte na plataforma do TerraMatch.
- Em todos os relatórios subsequentes: mudas substituídas que morram devem ser incluídas no cálculo da taxa de sobrevivência e devem ser marcadas como árvores de "substituição" na planilha de registro.
É fortemente recomendado que os implementadores realizem diversas contagens de taxa de sobrevivência ao longo da vida do projeto, iniciando o mais cedo possível — idealmente um mês após o plantio. Porém, as contagens oficiais se darão sempre 1 ano após o plantio (janeiro de 2028), e dois anos após plantio (janeiro de 2029).
8. Conclusão
A avaliação regular de sobrevivência não é apenas uma exigência de reporte — é uma ferramenta de gestão adaptativa que permite aos implementadores melhorar continuamente suas práticas e maximizar o impacto de cada muda plantada.
A ficha de campo proposta se encontra em formato de formulário para ser preenchido no momento das visitas, e pode ser acessado pelo aplicativo KoboCollect.
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